É deveras curioso perceber como o texto é ''enxergável'' dentro da nossa realidade.
De uma forma inteligente, ele nos mostra os resultados e efeitos oriundos da terapia para ex-usuários da droga. De cara, nos é dito que somente homens participaram do estudo, em virtude da não indicação de mulheres para o experimento.
De fato, a grande maioria do usuários da cocaína (que é a droga em cujo estudo é focado) é iniciado pelo consumo de outra droga: A maconha. Sendo assim, há o chamado processo de ''escalada'', na qual o usuário começa com uma droga mais ''leve'' e passa para uma mais ''pesada''.
Outro ponto interessante acerca do estudo é a ligação que a cocaína tem como o aumento do consumo do crack: Com o tempo e a tolerância desenvolvida pelo organismo, faz-se necessárias doses cada vez maiores e isso, portanto, acaba encarecendo seu consumo. Desse modo, o crack é a alternativa encontrada pelos usuários a fim de que seu vício seja satisfeito.
Dentro os motivos que levam um indivíduo a se iniciar na droga, gostaria de destacar a influência dos amigos e a presença em festas onde a droga se faz presente. Talvez esse seja o fato que nós, jovens, mais podemos observar. Afinal, eu acredito que muitos de vocês já estiveram presentes em lugares assim ou até mesmo lhes foi oferecido algum tipo de droga. Outra questão importante é a influência da família na vida do sujeito. Diálogos de aproximação por parte dos pais distanciam os filhos das drogas. Além disso, um ponto interessante a ser notado é que uma postura demasiadamente condescendente e provedora por parte dos pais acaba comprometendo a visão de mundo a ser desenvolvida pelos filhos, pois esses mesmo filhos passam a enxergar o próprio mundo como um lugar provedor de prazeres.
Seguindo a proposta da autora, alguns relatos são transcritos para o texto, com relação à diversas fases do vício, do qual destaco:
- Sobre os efeitos: '' Ela era o único prazer que eu tinha. Antes de fazer algum relacionamento, eu tinha que usar, porque necessitava dela'' (ALMEIDA, 2008). Tal trecho ilustra o poder que a droga tem de exercer em um indivíduo.
- Sobre Abstinência: ''Enquanto não se evocar que não acreditar que Deus, caminhar no caminho de Deus e se libertar, não sai mesmo das drogas. É Deus. Não existe outra explicação''.(Idem). Isso nos mostra como a religão pode exercer um papel importante na recuperação de alguém, o que vai ao encontro da teoria religiosa, exemplificada no último texto.
- Sobre a recaída: ''Pai, se aqueles caras vierem aqui em casa vierem aqui em casa, fale que não estou...E sei que começa bebendo uma cerveja, depois vamos dar uma voltinha e tal''.(Ibidem) De fato, a bebida é o fator que mais influencia nas recaídas.
- Sobre respostas condicionadas: ''Ontem mesmo passei em frente a uma bocada. Na hora veio à cabeça: Estou de moto e tenho dinheiro. Falei para mim mesmo: Você está bem. Está conseguindo que garotas se interessem por você. Quer voltar a ter aquela vida de antes?''(Ib.). As respostas condicionadas demonstram a fragilidade que os seres humanos possuem quanto a isso.
Ainda na tentativa de tornar o texto bastante visível na nossa realidade, a autora nos motra um estudo de caso, com um abstinente da cocaína, dos quais podemos tecer comentários sobre os seguintes pontos:
Na página 56, o paciente cita: ''Acho que não tenho jeito mais. Minha cabeça está estragada''. Percebemos aqui que de fato há uma condição de baixa estima e também de reconhecimento de que aquilo traz mais prejuíos que benefícios.
Na página 57, é relato por ele que: ''É, as drogas na minha vida foi um sofrimento, porque eu perdi o amor da minha vida e só me trouxe sofrimento.Me trouxe fraqueza de memória, prejuízo na vida''. De fato, talvez esse depoimento represente a situação da maioria dos jovens imersos nesse mundo, em que há muito mais perda do que ganho.
Na página 60, observamos outra faceta: ''Fico vendo televisão até tarde e quando vou dormir sonho sempre que estou usando droga. Levanto com o coração batendo e pra melhorar, vou ler a bíblia.'' Existe um temor por qual passa o paciente em relação a ter uma recaída.
A probabilidade de sucesso de tal tratamento está na capacidade de promover uma mudança no estilo de vida do indivíduo. E foi a partir dessa abordagem que o paciente, de codinome K, passou a ter novas crenças e uma nova perspectiva de vida.
Essa é, ao meu ver, a correta de se analisar drogadictos. Pensá-los como sujeitos que precisam de ajuda, e não como criminosos. Se cada um de nós tivermos isso em mente, talvez a sociedade se torne algo melhor.
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