Experimentos como o de Stanley Milgram nos chamam a atenção.
A premissa é simples: Duas pessoas fazem parte da experiência. Um é o aluno e o outro o professor. Sendo assim, o professor cita uma série de palavras a serem repetidas pelo aluno. A cada erro, um choque. A voltagem aumenta a cada erro cometido. Dessa forma, o professor passa cada vez mais a ficar em uma situação difícil, encarando o dilema de continuar provocando a dor a alguém e continuar o experimento.
Contudo, ao final de tudo, podemos perceber de fato qual é o foco da experiência e quais são seus fins: O ''professor. Segundo Milgram, tudo passava de uma encenação, e o objetivo era a análise do nível de obediência das pessoas. Será que, mesmo a contragosto e levando alguém a dor, elas continuariam aquilo? Para 65% dos envolvidos, sim. O que permite que façamos uma série de reflexões. Primeiramente, não havia um tipo específico de indíviduo que era aquisciente ao exercício em questão. Segundamente, muitas das pessoas que participaram julgavam que não seriam capazes de continuar e continuaram. De fato, como colocado no texto, o poder dos experimentos de Milgram está na lacuna entre aquilo que pensamos de nós mesmo e quem realmente somos.
Assim, na tentativa de traçar um perfil, pôde-se observar que, por exemplo, a maioria das pessoas que obedeciam foram menos punidas pelos pais, e as pessoas que desafiaram sofreram punições mais severas dos pais. Devemos levar em conta, entretanto, uma das principais ressalvas feitas pela autora: A Psicologia Social pode te informar sobre aqueles que dizem sim, mas nada sobre os que dizem não. Sendo assim, ela é limitada no sentido de traçar mais detalhadamente um perfil sobre os sujeitos que desafiam à obediência no experimento.
Contudo, como todo cientista, Milgram também foi alvo de duras críticas. Muitas das quais contestam a aplicabilidade que aquilo teria na realidade. Para alguns dos críticos, o modo como alguém age dentro do laboratório não traduz o modo como a pessoa necessariamente agiria na realidade, pois o experimento de Milgram era sobre confiança e não obediência, uma vez que as pessoas só acreditavam no ''cientista'' devido ao uso do jaleco, que o punha em uma posição de superiodade.
O que ninguém pode contestar, porém, é o impacto que a experiência causou na vida de alguns voluntários. O caso de mais destaque é do homossexual, sob a alcunha de Joshua no texto, que, frustrado pela perda de um amor, usou aquilo como refúgio do mundo real, permanecendo aquisciente todo tempo aos choques. O que ninguém esperava, contudo, é que aquele pequeno fato trouxesse reflexões que mudariam permanentemente o modo com que ele encarava o mundo. A submissão o fez perceber o quão errado é ter essa postura em determinadas situações. Assim, em virtude disso, Joshua teve sua personalidade transformada e passou então a ser um ativista do direitos dos homossexuais.
Talvez exemplos como esse transmitam a faceta positiva da prática de Milgram e nos trazem a seguinte reflexão: Será que vale a pena ficarmos calados em cada situação de injustiça que ocorre ao nosso redor? Quantas vezes, ao observamos uma atitude que nos desagrada, permanecemos submissos àquilo?
É talvez nessa percepção, ao demostrar tal sensibilidade, que reside a importância de um experimento como o de Milgram.
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