Talvez Freud seja o mais conhecido psicanalista de todos os tempos. De fato, a complexidade e riqueza de suas obras ainda hoje se mostram bastante atuais e pertinentes a nossa sociedade. Muitos dos dilemas retratados em sua obra, ainda permanecem como dilemas. Assim, o livro a ser tratado aqui é o ''Mal Estar Na Cultura'', que permeia diversos temas interessantes:
O homem comum enxerga a religião, onde um Deus zelará por suas vida, como um pai olha para os seus filhos. Sendo assim, a religião é necessária, assim como a arte e a ciência.
Nesse sentido, a vida é algo difícil, pois os homens utilizam distrações para amenizar a miséria, satisfações que as disfarçem. Ele também busca analisar a finalidade da vida de acordo com os humanos, considerando a felicidade como a ausência da dor e do desprazer e como uma intensa busca pelo prazer. O prazer, então, seria o norteador das atividades psíquicas.
Além disso, sobre o sofrimento, o autor fala que ele nos acomete por três lados: Através do corpo, por meio da ruína, da destruição e do medo, através do mundo externo, visto que isso nos abate e por meio das relações com outros indivíduos. Muitas pessoas usam drogas para nos proporcionar prazer.
Ele sustenta que não existe uma receita universal para a felicidade. Cada um tem seu jeito particular de ser feliz e cada tipo de pessoa encontra prazer em algo diferente. Sobre a origem do sofrimento, ele cita como exemplo as ''exigências culturais'' na relação da época entre colônia e metrópole: Segundo os Europeus, os povos colonizados não atingiram as exigências culturais necessárias e a eliminação das mesmas seria a causa do rompimento da felicidade. Essa felicidade, contudo, seria subjetiva.
Segundo ele, existem realizações e disposições que diferem nossa vida dos antepassados. Freud cita a proteção do homem contra a natureza e a regulamentação das relações.
Sobre os adventos que surgiam cada vez mais na sociedade, como o telefone, a máquina fotográfica, o óculos, o autor alega ressalta que antes, tudo que era inacessível, era atribuído a Deus, porém, cada vez mais, os homens foram se aproximando dessa condição de Deus.
Entrando no campo social, ele fala sobre a atuação da comunidade em prol do coletivo, na qual os indivíduos sofrem restrições em prol de um prazer maior e para todos. Há também um desafio a ser vivido por todos, pois é necessário equilibrar a liberdade individual e a cultura das massas, o que promoveria a felicidade. É também preciso que haja um controle dos impulsos.
Freud cita que há uma perda do sentido da palavra amor, que pode ser limitado pela cultura ou ameacá-la. Ele fala sobre questões relacionadas à submissão da mulher e sobre os casais heterosexuais só poderem promover a atividade sexual, por meio de um compromisso, por exemplo. A sociedade, nesse sentido, aceitaria todas as transgressões culturais.
Além disso, ele ressalta que é importante incentivar o amor ao próximo, pois ele inibe a natureza agressiva do homem. Nesse tocante, ele faz uma crítica aos comunistas por eles acreditarem que a supressão da propriedade privada resolveria os problemas de agressão, sendo que esta é anterior à própria propriedade.
Por fim, ele conclui que o homem não é feliz na cultura: Ele abre mão da liberdade por uma parcela de segurança. Temos assim, o impulso da vida, junto com o da morte.
Com certeza a obra de Freud é imortal. Ele nos leva a diversas reflexões dentro de seus temas. Ele sai da mesmice de sempre, ele nos provoca, ele nos instiga, ele nos incomoda. Talvez isso contribua para a frequente (re)visita em sua obra.
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